Chave de cadeia usando sapatênis



Meus irmãos, pode uma figueira produzir azeitonas ou uma videira, figos? Da mesma forma, uma fonte de água salgada não pode produzir água doce.

Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria.

Contudo, se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade.

Esse tipo de "sabedoria" não vem do céu, mas é terrena, não é espiritual e é demoníaca.

Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males.

Tiago 3:7-12


Recebemos do universo um único instrumento para identificar entre auto-intitulados bons moços quem são as chaves de cadeia. Falo do sapatênis. Esqueçam a fúria, os rompantes agressivos, as demonstrações públicas de força. Muitas vezes são consequências de prisão de ventre ou disfunção erétil. O problema mesmo é o sonso de sapatênis.


Aprendi nos filmes de Hitchcock que o metido a bonzinho é sempre psicopata. Boi sonso é o que rompe cerca, já dizia minha falecida bisavó Angélica. Tenho preconceito com homem sonso, seja boi, touro ou qualquer outro tipo de gado. Mea culpa, mea maxima culpa. Mas é fato que o mal não prospera quando se anuncia maligno e implacável.


Todos usamos fantasias. A do verdadeiro mal é fala mansa com sapatênis. Deveria ter dito que aprendi esse negócio do boi sonso nas aulas de Psiquiatria Forense do professor Alvino Augusto de Sá, papa da matéria. Não digo por questão de fantasia. Que seria dos meus colegas inteligentinhos se eu não fingir ser burra? Vão passar o dia inteiro no twitter respondendo minhas postagens com argumentos e recalque dignos de pena. Não permitirei tal martírio.


Sabe a melhor forma de virar um coitado nessa vida? Ter pena de coitado. Digo por experiência própria. Vasculhe minha biografia e veja quanto promotor herói eu já entrevistei. Era caso de chinelada, não de entrevista. Mas ainda não era mãe, não sabia a diferença. Fiz o mesmo com moços de fala mansa e sapatênis.


Certa vez, relatei a dois deles que um terceiro estava em uma dessas milícias virtuais que me ameaçavam constantemente. Não fiz porque achei que fossem tomar providências. Daí seria preciso caráter, o que está em falta há muito tempo na gangue do bom-mocismo. Tive de relatar porque me convidaram para participar de um evento sem dizer que nosso amigo Pink & Cérebro de Osasco também faria parte.


Obviamente fui tratada como louca de pedra, difamada pelas costas e jamais convidada para qualquer outro evento da turma. Talvez tenha exagerado mesmo. Onde já se viu reclamar só porque fulano passa pano para quem ameaça seu filho de morte? Muito mimimi.


Dias depois, os mesmos moços vinham me dar aula de jornalismo. Ficaram bravíssimos porque disse a eles que não era correto querer revelar a ficha médica de David Uip. Recebi o famoso "vou respeitar a opinião só porque gosto de você". Nunca mais ouvi falar das figuras, somente quando me contam sobre as piadas de mau gosto e a difamação pelas costas.


O problema é que David Uip resolveu processar quem violou sua ficha médica. Como todo pitbull de madame, o valente recuou. Pediu desculpas, quis acordo. Difamar com virulência em público e se desculpar pelas costas é esporte nacional da gangue do sapatênis. O médico não caiu. Pudera, alguém que foi aos 7 casamentos do Fabio Junior não cai em conversa.


Vejam que coisa. O mundo agora sabe que ameaças pela internet, principalmente quando combinadas em grupo, são graves. Precisou de um cadáver famoso. Mas é do jogo, mulher está aí para ser tratorada. O mimimi número um era crime. Agora, o caso número dois, o da violação de prontuário médico, também vai ser.


Os bons moços continuam falando manso e tentando reescrever o passado. Claro que desculpar-se, voltar atrás e admitir os malfeitos não são opções. Chave de cadeia que é bom chave de cadeia sempre diz ao doutor delegado que é inocente. Se for branco, de família boa e usar sapatênis, vai ter quem acredite.


Não vejo a utilizade biológica do homem sonso. Deve ser um desses casos em que Deus estava fazendo artesanato de garrafa pet e resolveu dar vida à obra prima. David Uip jamais usou sapatênis. Ainda resta quem consiga decidir sem medo se vai sair de social ou esporte. Poucas coisas exigem mais coragem do homem brasileiro.


* Aviso para os usuários compulsivos de sapatênis: Essa é uma CRÔNICA. FICÇÃO, talkey, lindos?

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